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Papa Clemente XIII

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Papa Clemente XIII

Mensagem por Fundador em 8th Março 2012, 14:51

Papa de 1758 a 1769.

O pontificado do veneziano Carlo della Torre Rezzonico, nascido a 7 de Março de 1693, foi dominado pela questão dos jesuítas. A ordem fundada por Santo Inácio tinha chegado ao século XVIII no apogeu do seu poder, tanto político, devido à influência que exercia em quase todas as cortes católicas da Europa, como no comércio e na instrução. A maioria dos colégios europeus pertencia à Companhia de Jesus, o que provocava não apenas o azedume dos institutos laicos, mas também a rivalidade das restantes ordens religiosas.

Nascido no seio de uma família da nobreza recente de Veneza, Carlo della Rezzonico recebeu educação em Bolonha, pela mão dos padres da Companhia de Jesus.

Sacerdote, elevado a bispo ainda muito jovem, esteve à frente dos destinos da Diocese de Pádua, recebendo o barrete de cardeal quando contava 44 anos. Chamado a desempenhar altos cargos junto da Cúria romana, veio a ser eleito papa no conclave de 1758, reunido na sequência da morte do papa Bento XIV.

No mesmo ano em que Clemente XIII era eleito, a família Rezzonico celebrava em Veneza a sua união, pelo matrimónio de Ludovico, com a família Savorgnan, tornando-se no mais importante núcleo da cidade dos canais, situação potenciada pelo nepotismo do novo Pontífice.

Apesar disso, o novo papa distinguia-se pela sua afabilidade e simpatia, caráter moderado e, até, pela generosidade com a sua fortuna pessoal, nomeadamente aquando da carestia de 1764. Pela sua ação terminou a animosidade entre Roma e Veneza e obrigou os latifundiários dos Estados Pontifícios a plantarem suas terras.

Essas qualidades, todavia, não chegariam para que o seu pontificado fosse um período calmo. Bem pelo contrário. Na verdade, foram diversas as crises internacionais em que Clemente XIII se veria envolvido, a começar com o conflito aberto com as autoridades portuguesas.

Mal subiu ao Trono de São Pedro, Clemente XIII protestou contra o que considerou terem sido medidas demasiado severas contra os jesuítas no caso português (o marquês de Pombal tinha colocado dezenas de jesuítas num barco enviado para Roma, afirmando "este é o nosso presente para o papa"), mas os acontecimentos precipitaram-se quando, em Setembro de 1758, foi cometido um atentado contra o rei D. José.

Pombal, inimigo da ordem, aproveitou a oportunidade para ver a mão dos jesuítas no atentado, apesar de não ter provas para tal. O resultado foi que os jesuítas foram expulsos de Portugal e das respetivas colónias, tendo o Estado português aproveitado a oportunidade para confiscar todos os bens da Companhia de Jesus. Face aos protestos de Roma, também o núncio apostólico em Lisboa, Acciaoli, foi obrigado a abandonar o país.

Medidas semelhantes foram tomadas pouco depois em França, onde jansenistas, galicanistas e filósofos de novas tendências, dirigidos por Voltaire, viam nos jesuítas os seus mais poderosos inimigos. A própria Madame de Pompadour, condenada pelos jesuítas devido à sua vida imoral, incitou também o rei para que este condenasse a Companhia. O rei dissolveu a ordem, que considerou contrária aos interesses do Estado e prejudicial para a religião e a moral. Assim, os jesuítas foram exilados de França e os seus bens confiscados, à semelhança do que tinha acontecido em Portugal. Três anos depois, o papa defendeu-os através da bula Apostolicum Pascendi manus, mas esta não pôde ser publicada nem em França nem na Áustria.

Também em Espanha os jesuítas se viram em maus lençóis, devido a uma rebelião causada por um decreto que proibia usar sombreros. A Companhia de Jesus foi acusada pelas autoridades de ter instigado o povo à rebelião. Um decreto de 1767 expulsou os jesuítas de Espanha e do império, tendo visto igualmente os seus bens confiscados. Carlos III e o seu superministro, Aranda, eram inimigos da ordem e discípulos das novas doutrinas anticatólicas que circulavam por toda a Europa. Os jesuítas que foram expulsos de Espanha encontraram asilo na Córsega, onde viveram na miséria até que o papa os recebeu nos Estados Pontifícios. Também em Nápoles, onde reinava Fernando IV, filho do rei espanhol e onde a política era controlada pelos Tanucci, inimigos da Companhia de Jesus, a ordem foi dissolvida em 1767.

O papa, entretanto, insistia em defender os jesuítas, o que provocou uma forte reação por parte da França, que ocupou Avinhão, e de Espanha e do Reino das duas Sicílias, que se apoderaram de Benevento e de Ponte Corvo. Finalmente, no mês de Janeiro de 1769, os embaixadores das cortes dos Bourbons representadas em Roma apresentaram ao Sumo Pontífice uma nota em que exigiam a dissolução da Companhia de Jesus. Clemente XIII – que tinha aprovado o culto ao Sagrado Coração de Jesus, que os jesuítas defendiam há muito – ficou tão incomodado que sofreu uma apoplexia, vindo a falecer a 2 de Fevereiro de 1769.

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