História Universal
SIGA-NOS NO FACEBOOK

CURTA NOSSA PAGINA
loading...

Restauração da Independência

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Restauração da Independência

Mensagem por Fundador em 21st Janeiro 2012, 15:37

D. Sebastião (1568-1578) pensa que o poder dos Turcos chegou ao Magreb e ameaça a cristandade. É para fazer face a esse perigo que organiza em 1578 uma forte expedição militar ao Norte de África. Mas todo o Exército português é destruído e ele próprio perde a vida na batalha de Alcácer Quibir. A Coroa passa ao último filho vivo de D. Manuel I, o Cardeal D. Henrique; por morte deste (1580), a sucessão é disputada entre os netos de D. Manuel. O povo apoia D. António, filho ilegítimo do infante D. Luís; a nobreza prefere Filipe II de Espanha, filho da infanta D. Isabel. Um exército espanhol derrota as poucas tropas de D. António, e Filipe é aclamado Rei nas Cortes de Tomar. O regime político é o da união das coroas, mas separação das administrações: burocracia, justiça e moeda seriam portuguesas.

Entre 1580 e 1620 há progresso económico e estabilidade política. Os nobres são tratados generosamente; obtêm lugares na corte de Madrid; os comerciantes ganham com a supressão da fronteira terrestre. Só o povo lamenta a independência perdida e espera o regresso de D. Sebastião (sebastianismo). A situação modifica-se a partir de 1620. O Estado, privado da maior parte da receita oriental, agrava a carga tributária. A autonomia administrativa sofre então limitações, o que gera resistências. O comércio nacional regista prejuízos graves; os inimigos da Espanha apresam, entre 1623 e 1638, mais de 500 navios carregados de mercadoria de negociantes portugueses.

Em 1639 eclodiu na Catalunha um movimento separatista, e os nobres portugueses foram mobilizados para a guerra. Um grupo de fidalgos conjura-se para restaurar a independência, contando com o apoio militar dos países inimigos da Espanha. O trono é oferecido a D. João, duque de Bragança, trineto de D. Manuel; perante a hesitação deste, chega-se a pensar numa república. A revolução começa por um golpe de mão no palácio real (primeiro de Dezembro de 1640); a população de Lisboa adere imediatamente, e as pequenas guarnições espanholas rendem-se sem luta. O novo rei, D. João IV (1640-1656), é solenemente aclamado em Lisboa, quinze dias depois. No ano seguinte, a alta nobreza e parte do alto clero e alta burguesia tentam uma contra-revolução, reprimida com a execução de alguns fidalgos.

A guerra com Espanha só termina em 1668. A vitória portuguesa explica-se pela situação espanhola, envolvida em guerras noutras frentes europeias, e pela ativa adesão da população à causa portuguesa. Quando em 1663 um exército espanhol entrou em Évora e se aproximou de Lisboa, a população alistou-se em massa para a contra-ofensiva, que terminou pela vitória do Ameixial. No Brasil e em Angola foram brasileiros e portugueses, aliados aos nativos, que expulsaram os holandeses e restauraram a independência.

A Restauração

A 1 de Dezembro de 1640, numa luminosa e serena manhã de Inverno lisboeta, juntavam-se no Terreiro do Paço umas dezenas de fidalgos, vindos em coches, em que transportavam armas, e um punhado de populares que o padre Nicolau da Maia convocara. Logo que as nove horas soaram nas torres da Sé, um grupo numeroso invadiu a entrada do paço e inutilizou, com alguns tiros, a resistência da guarda real, que correra às alabardas. D. Miguel de Almeida, um velho magnífico de energia, lançava-se à frente, de espada em punho, clamando: "Liberdade! Liberdade! Viva El-Rei D. João IV!". Chegando a uma varanda, falou ao povo, proclamou a libertação dos portugueses, aclamou o novo rei.

Um grupo de nobres, que ficara no Terreiro do Paço, assaltara o forte contíguo ao paço e dominara a guarnição espanhola.

António Telo, com outros conjurados, atravessava as salas do palácio em busca de Miguel de Vasconcelos. Na secretaria, o corregedor Francisco Soares de Albergaria, que respondera às aclamações dos conjurados com um viva a Filipe III de Portugal, foi prostrado com duas balas. O oficial-maior foi apunhalado, mas conseguiu fugir. O capitão da guarda, que acorreu, surpreso, bateu-se com denodo. Ferido, atirou-se por uma janela. Pôde contudo salvar-se.

Vasconcelos escondera-se num armário de papéis, com uma clavina aperrada. Descobriram-no ali, crivaram-no de balas. Depois o corpo do detestado agente de Castela foi arremessado para o Terreiro do Paço. Sobre ele se precipitou o populacho, na raiva da vindita. Os cães famintos completaram a execução.

A duquesa de Mântua surgira numa das janelas, aos gritos, apelando para a lealdade dos portugueses. Subiram a calá-la D. Antão de Almada e outros, que a deixaram presa no seu oratório. Forçado a calar-se foi também o arcebispo de Braga, que tentara defender a duquesa.

Depois, a multidão, que crescera, foi à Sé, trouxe dali o arcebispo de Lisboa, devotado patriota, e passou a percorrer as ruas da cidade em festa, em volta da bandeira do Senado municipal, aclamando sempre o novo rei e a liberdade. Os conjurados voltaram ao paço e ali fizeram a escolha dos governadores, que regeriam o reino até à chegada de D. João. Só dois dias depois é que a notícia do triunfo chegou a Vila Viçosa.

D. João IV, o novo rei, chegou a Lisboa a 6 de Dezembro. As cidades e vilas do reino tinham-no aclamado festivamente. As fortalezas em que havia guarnição castelhana ofereceram fraca resistência. A de S. Julião da Barra foi a última a render-se, a 12 de Dezembro. Por todo o país corria um frémito de júbilo, uma sensação de desafogo. Em certas terras, como Coimbra, as festas de regozijo duraram bastantes dias, com procissões, mascaradas e cavalhadas.

Em Lisboa, a 15 de Dezembro, realizou-se pomposamente, na catedral, a cerimónia da coroação, precedida de reunião solene no Terreiro do Paço, onde se erguera um trono. Perante o rei os Três Estados prestaram juramento de fidelidade. Francisco de Andrade Leitão, um jurista, pronunciou o discurso de saudação, fazendo a defesa do ato revolucionário e esclarecendo o direito que ao duque de Bragança assistia de cingir a Coroa. Ele era, por seu pai, D. Teodósio, o legítimo sucessor de D. Catarina, e esta fora a legítima representante do infante D. Duarte seu pai, ao qual teria competido, se fosse vivo, a sucessão do cardeal-rei D. Henrique. Um outro direito irrecusável foi posto em evidência: o que tinha a nação de escolher livremente novo soberano.

Fundador
Administrador

Mensagens : 1615

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum