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Vontade de Poder

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Vontade de Poder

Mensagem por Fundador em 8th Agosto 2011, 23:35

Na filosofia de Nietzsche, o seu mais importante conceito permeia as mais altas e baixas esferas da existência, estando como conceito cosmogónico, e mesmo histórico ou psicológico. A vontade de poder não é somente a essência, mas uma necessidade; não é somente vontade de dominar, mas, acima de tudo, vontade de criar, de valorizar, de afirmar a vida.

A argumentação que se segue encontra-se na sua forma original nos textos do Eterno Retorno:

Primeira proposição: O total da força que existe no Universo é determinada, não infinita. Deduz-se que o número de situações - combinações dessa força - é mensurável, ou seja, também determinada e finita.

Segunda proposição: O tempo é infinito, e antes deste momento houve uma infinidade de tempo.

Estas preposições e suas conclusões partem de um raciocínio simples até ao seu mais alto grau de complexidade, só atingido em Nietzsche. Ao não admitir a existência de Deus, do criador, admite-se que a matéria, a energia da qual é constituída o Universo, não pode ter sido criada. Logo, ela tem de existir originalmente e sempre, ou então há que se retornar à teoria da criação do nada. Se ela existe não-criada, tem de ter estado aqui desde sempre. Já que ela existe desde sempre, se houvesse tendência ou estado a ser atingido, a eternidade é certamente tempo o bastante para que a tivesse atingido.

A força que hoje existe tem de ter estado eternamente ativa e igual, ou então teria se extinguido. Todos os desenvolvimentos possíveis têm de já ter acontecido, e todos os instantes são eternas repetições. Ainda, que não existe estado de repouso, pois se as forças estão um tempo infinito para trás em atividade, se este estado fosse possível já teria sido alcançado e duraria. Este mundo das forças é circular na medida em que retorna, e sem nenhuma tendência, senão já a teria alcançado.

Da noção então de algo originário, nunca em repouso mas em constante devir, da consideração de que o mundo das forças não é passível de cessação, ou equilíbrio, ou repouso, de sua grandeza de força e movimento em cada tempo, e de sua extensão ao todo, começamos a divisar a vontade de poder.

Nietzsche afirma nos textos de 1881: "E sabeis... o que é para mim o mundo?... Este mundo: uma monstruosidade de força, sem princípio, sem fim, uma firme, brônzea grandeza de força... uma economia sem despesas e perdas, mas também sem acréscimos, ou rendimento,... mas antes como força ao mesmo tempo um e múltiplo,... eternamente mudando, eternamente recorrentes... partindo do mais simples ao mais múltiplo, do quieto, mais rígido, mais frio, ao mais ardente, mais selvagem, mais contraditório consigo mesmo, e depois outra vez... esse meu mundo dionisíaco do eternamente-criar-a-si-próprio, do eternamente-destruir-a-si-próprio, sem alvo, sem vontade... Esse mundo é a vontade de poder - e nada além disso! E também vós próprios sois essa vontade de poder - e nada além disso!".

Usando a própria terminologia de Nietzsche, a vontade de poder é uma lei originária, sem exceção nem transgressão. Ao falar assim o filósofo quer dizer que a vontade de poder não é algo criado, ou que dependa de condições especiais, como na religião ou em teorias precedentes, mas ela advém da própria realidade das coisas.

Sendo as preposições (matéria finita, constante e sem tendência, e tempo infinito) um fato e do mesmo modo o devir, a certeza de que há este fluxo, a força que alavanca e mantém esta economia tem uma natureza particular, que é a vontade de poder. Por isso é dito: "Este mundo é a vontade de poder".

Da não aceitação da criação, a possibilidade para a existência é a seguinte: a necessidade de que tudo seja como é. Esta força que hoje existe só pode ser afirmada através de sua natureza. Vontade de poder, não é nada de teológico, de fim, ou fundamento verdadeiro. É o modo como se comporta aquilo que não pode ter finalidade ou sentido, e que vive a expensas de si mesmo. Nietzsche mesmo adverte que "a vontade de poder não é nem um ser, nem um devir, é um pathos".

Pathos está aqui no sentido que emprega Descartes, de que "tudo o que se faz ou acontece de novo é geralmente chamado (pelos filósofos) de pathos. E se o conceito está ligado a padecer, pois o que é passivo de um acontecimento, padece deste mesmo. Portanto, não existe pathos senão na mobilidade, na imperfeição".

A vontade de poder, portanto, é esta lei originária, sem exceção nem transgressão, que em si anima e é a própria essência de toda a realidade. É a essência e a própria "luta das forças" que formam a economia universal, impulso que reage e resiste no interior das forças, uma multiplicidade de forças que em suas graduações se manifesta na sua forma última em fenómenos políticos, culturais, astronómicos, permeando a Natureza e o próprio Homem.

Wikipédia


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Re: Vontade de Poder

Mensagem por Saibot em 29th Maio 2012, 20:35

"O que é bom? Tudo aquilo que desperta no homem o sentimento do poder, a vontade de poder, o próprio poder. O que é mau? Tudo o que nasce da fraqueza. O que é a felicidade? A sensação de que o poder cresce - de que uma resistência foi vencida. Nenhum contentamento, mas mais poder. Não a paz acima de tudo, mas a guerra. Não a virtude, mas o valor (no estilo do Renascimento: virtu, virtude desprovida de moralismos). Quanto aos fracos, aos incapazes, esses que pereçam: primeiro princípio da nossa caridade. E que se os ajude mesmo a desaparecer! O que é mais nocivo do que todos os vícios? A compaixão que se move em prol de todos os fracos, de todos os incapazes - o cristianismo..." (O Anticristo, 2)

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