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Para Além do Bem e do Mal

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Para Além do Bem e do Mal

Mensagem por Fundador em 25th Junho 2011, 23:36

Friedrich Nietzsche

1
A tarefa para os anos seguintes estava já traçada tão rigorosamente quanto possível. Depois de ter cumprido a parte afirmativa desta minha tarefa, veio a parte negativa, a parte em que cabia dizer «não» e agir pela negação: a própria transmutação de todos os valores até aí dominantes, a guerra aberta e a preparação para o dia da batalha decisiva. Aqui se conta o longo esforço para ligar a mim todos os meus semelhantes, aqueles que por sua reserva de força me pudessem dar apoio na obra de destruição.

Desde então para cá são todos os meus escritos anzóis: talvez saiba eu lançar o anzol como ninguêm?... E, se nada apanhei, a culpa não foi minha. Faltavam peixes.

2
É o livro (1886), em todas as suas partes essenciais, uma crítica da modernidade, das ciências modernas, da arte moderna, sem esquecer a política moderna, e dá sugestões de um novo tipo oposto, que, tão pouco moderno quanto possível, é um tipo nobre, um tipo afirmativo.

Neste último sentido é o livro uma escola de nobreza, tomado o termo em sentido mais espiritual e radical do que até agora. Para suportar esta afirmação, exige-se valentia, não saber o que é medo.

Todas aquelas coisas que dão orgulho à nossa época são vistas como o contrário deste tipo, o que dá nítido sinal da grosseria ambiente. Assim, a famosa «objetividade», a «compaixão por todos os que sofrem», o «sentido histórico», com a servidão perante o que vem do estrangeiro, o interesse geral pelos «factos», o «espírito científico».

Se tivermos em conta que o livro foi escrito depois de Zaratustra, poderemos também talvez aperceber-nos do regime dietético que condicionou o seu nascimento. O olhar que, sob o influxo da poderosa necessidade, mais longe alcança - Zaratustra possui maiores meios de visão que o Czar - é aqui forçado a abranger de uma só vez o mais próximo, o tempo, o não-nós. O homem teria de alcançar em todos os momentos, no todo e na forma, um tal poder para alhear-se dos instintos, que isso só a Zaratustra seria possível. O esmero na forma, a finura na intenção e o apuro na arte dos silêncios, resultam em primeiro lugar de um dom psicológico exercido com crueldade e dureza deliberadas. Do livro está proscrita qualquer palavra de bondade.

Tudo isto encanta: e quem poderia, enfim, adivinhar que espécie de encantamento requeria tão pródiga bondade como encontrámos em Zaratustra?... Dizendo teologicamente - deveis prestar ouvidos, pois poucas vezes falo como teólogo - foi o próprio Deus que se fez serpente, e se ocultou, terminada a sua obra, atrás da árvore do conhecimento: assim ele descansava de ser Deus... Tudo quanto fizera, demasiado belo o fizera... O diabo não é mais que a ociosidade de Deus ao fim dos sete dias...

Ecce Homo

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