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Antigo Egipto

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Antigo Egipto

Mensagem por Lusitano89 em 19th Março 2011, 21:56



O território do Egipto fica no Nordeste de África, ocupando o vale do Nilo, entre os desertos da Arábia e da Líbia. É o rio Nilo, com as suas cheias periódicas e constantes, que alagam as margens numa vasta extensão, que fertiliza esta zona, além de servir de via de comunicação. Para melhor aproveitar o dom do Nilo, os Egípcios construíram diques e canais. Estas condições favoráveis à agricultura propiciaram que aqui surgisse, por 3500 a. C., uma nova civilização agrária, em que se cultiva o trigo, a cevada, o milho-miúdo, o linho, a vinha, os legumes, a oliveira, o papiro, além de também se dedicarem à criação de gado. Com o desenvolvimento da agricultura foram crescendo os excedentes, o que veio fomentar o comércio com os vizinhos. A madeira e os metais eram os principais objectos de troca. O rio Nilo era a principal via de comunicação com o exterior.
Paralelamente à actividade agrícola também surgiu uma certa actividade artesanal, principalmente na região do delta, sobretudo ourivesaria, tecelagem, olaria e metalurgia.


Política

Politicamente, por 3500 a. C., o Egipto estava dividido em vários pequenos reinos, os nomos. Dá-se então a tomada dos mais pequenos pelos maiores, vindo a culminar na formação de dois reinos: o do Alto Egipto, a sul, e o do Baixo Egipto, na região do Delta. Por 3100 a. C., Menés, rei do Alto Egipto, conquista o Baixo Egipto, dá-se a unificação do Egipto e surge o Império, sob o governo do faraó, que passa a ser a única autoridade. Transforma o Egipto numa monarquia teocrática, pois o faraó é considerado um deus. O faraó tem um poder sagrado e um poder absoluto, pois é o chefe político, militar e religioso.
O Império manter-se-á até à conquista do Egipto por Alexandre Magno, em 323 a. C., sucedendo-se cerca de 30 dinastias. O Império Antigo mantém-se até 2130 a. C., em que se dá a estabilização do poder. Fixa-se a escrita, constroem-se as famosas pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos. Segue-se o Império Médio, até cerca de 1580 a. C., uma época de esplendor e luxo. A capital fixa-se em Mênfis. Na parte final há a invasão dos Hicsos, começando a sua decadência. Por 1580 a. C. começa o Império Novo, após a expulsão dos Hicsos. Nova fase de esplendor, construindo-se inúmeros túmulos, templos e outras obras de arte. A capital é Tebas. É deste período o famoso faraó Ramsés II. Após várias invasões, é com Alexandre, por 323 a. C., que o Egipto é anexado ao Império Helénico.


Sociedade

A sociedade egípcia é uma sociedade estratificada, dividida em vários escalões, como uma pirâmide. No cume da pirâmide estava o faraó, seguindo-se o grupo dos altos dignitários do clero e da nobreza, o grupo privilegiado. Eram ricos e recebiam dádivas do faraó, o que mostra o prestígio que tinham na sociedade. Os sacerdotes ocupavam um lugar especial neste grupo, pois a função religiosa dava-lhes um grande prestígio. Seguiam-se os escribas, que eram funcionários do templo e do palácio, sabiam escrever e por vezes eram cobradores de impostos, o que os colocava numa posição privilegiada e de prestígio. Os grupos inferiores eram os comerciantes, os artífices e os camponeses. Estes, que eram a maioria da população, tinham de entregar aos donos das terras quase tudo o que produziam, além de trabalharem para o Estado nas obras públicas. Os comerciantes viviam melhor, mas eram controlados pelo Estado. Os artesãos estavam dependentes das encomendas dos nobres, do palácio ou do templo. Na base da pirâmide estavam os escravos, que não tinham quaisquer direitos e eram forçados ao trabalho. Será deles quase todo o trabalho das grandes construções egípcias.


Religião

Quanto à religião, os Egípcios eram politeístas, isto é, prestavam culto a vários deuses. Os seus deuses estão relacionados com a Natureza e com as forças que têm a ver com a sua sobrevivência: Ámon-Rá (o Sol), Osíris (águas do rio), Ísis (a terra), Hórus (protector dos faraós), Hátor (fecundidade). O faraó era a encarnação de Hórus, e portanto um deus. Os Egípcios construíram imensos templos em honra dos seus deuses, onde lhes prestavam culto. Os Egípcios acreditavam na imortalidade da alma, que era julgada por Osíris, e na reencarnação. Por isso prestavam culto aos mortos, construíam túmulos e embalsamavam os corpos (as famosas múmias). A esta religiosidade dos Egípcios está associada uma arte religiosa, com a construção de templos e túmulos por vezes grandiosos. Os túmulos tomam várias formas - pirâmides, mastabas, hipogeus - que eram decorados com esculturas, baixos-relevos e pinturas, em que o tamanho das figuras variava de acordo com a importância social do morto.


Cultura

Culturalmente, é importante a invenção, pelos Egípcios, da escrita hieroglífica, fundamental para a administração e para a actividade religiosa. Esta escrita baseia-se em desenhos, os hieróglifos, que representa objectos, figuras humanas, animais, plantas. Para escrever usavam o papiro, cuja planta cultivavam. Esta escrita foi evoluindo, mais simplificada, surgindo a escrita hierática (usada pelos sacerdotes) e depois outra ainda mais simplificada (usada pelos escribas), a escrita demótica.
Todas as suas actividades reflectiam o seu sentir profundamente religioso. Na literatura surgiram inúmeros textos religiosos, como o Livro dos Mortos e o Hino ao Nilo, a par de outros escritos. A astronomia era usada pelos sacerdotes egípcios para conhecer a influência dos astros na agricultura, por exemplo. Estudaram também o movimento dos astros, criaram um calendário com a divisão do ano em 365 dias e os dias em 24 horas. Na medicina, desenvolvida com o conhecimento que tinham do corpo humano, por causa da mumificação, trataram certas doenças utilizando plantas. Conheciam já a circulação de sangue.

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Re: Antigo Egipto

Mensagem por Lusitano89 em 19th Março 2011, 22:52






























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Re: Antigo Egipto

Mensagem por Lusitano89 em 30th Abril 2011, 18:30

Animais Sagrados do Antigo Egipto




Desde sempre os Antigos Egípcios tinham uma relação de proximidade e empatia com os animais, quer para os caçar, quer por os temer, quer pelo serviço nos campos ou o seu valor alimentar. Bovinos, caprinos, ovinos, muares, cavalos, porcos ou aves de criação estavam há muito domesticados e no universo e quotidiano egípcios, que estavam também familiarizados com os animais selvagens ou exóticos, como leões (e outros felinos, como leopardos e chitas), serpentes, babuínos, girafas, importados do Sul, ou crocodilos, que abundavam ao longo de todo o Nilo.

Os animais não eram vistos como deuses, não o eram teologicamente, diga-se, embora tardiamente tenham tendido para tal. Foram quase sempre, essencialmente, representações ou formas de manifestação de deuses. Daí a sua mumificação e preservação em santuários, onde existiam recintos fechados com alguns espécimes vivos, dada a sua sacralidade. Depois de 700 a. C., essa tendência de veneração das formas zoomórficas dos deuses acentuou-se. Répteis, mamíferos, peixes ou aves, como alguns insectos, passaram a ser reverenciados como manifestações zoomórficas de deuses, como o íbis (consagrado ao deus Tot) ou o falcão (relacionado com Horus ou Osíris), ou como representação das divindades, como o babuíno cinocéfalo (cabeça de cão) de Tot, o gato e a deusa Bastet, o crocodilo de Sobek ou a vaca de Hathor, a leoa de Sekhmet, a porca de Nut, o hipopótamo de Taueret, não esquecendo o touro de Ápis em Saqqara, depois helenizado na forma de Serápis. Uma das representações zoomórficas de deuses mais famosas no Antigo Egipto era a de Anúbis (Inpw, em egípcio), o cão selvagem (não o chacal, que parece não ter existido no reino dos faraós) protector das necrópoles, deus dos mortos, relacionando-se também com a mumificação ou embalsamamento dos defuntos. Khnum, um deus muito importante, era representado por um carneiro. A cobra era também um animal venerado e respeitado, sendo o ba do deus Apopis, que ameaçava o deus-sol na sua viagem ao submundo. Outras divindades serpentiformes eram as deusas Uadjit, Renenutet e Meretseguer. O escaravelho era também venerado, como representação animal de Ré na sua forma matinal de Khepri. De igual modo, recorde-se o escorpião, forma animal dos deuses Serket e Shed. A rã era a animalização da deusa Heket. E porque não recordar ainda o célebre oxirrinco, um peixe que devorou o falo de Osíris e a ele ficou ligado.

Os cultos dos animais sagrados eram tutelados e zelados por irmandades sacerdotais consagradas a cada um deles, cuidando dos vivos e procedendo à sua mumificação e rituais funerários. Em relação a Ápis e a outros bois (ou touros) sagrados, como Bukhis (culto em Iunu-Montu, hoje Armant) ou Mnevis (touro sagrado considerado um ba, “poder” ou manifestação física do deus-sol de Heliópolis, Ré-Horakhty, e do deus-sol Ré, em geral), por exemplo, o enterramento era um cerimonial muito complexo, envolvendo rituais, encenações e equipamentos funerários idênticos a um funeral real. Já os íbis e falcões, por exemplo, eram doados como oferendas votivas, além de que muitas das suas mumificações eram colocadas em potes ou vasos de madeira ou cerâmica, devidamente selados. Os peregrinos compravam animais sagrados aos sacerdotes, nos seus santuários. Depois, pagavam-lhes pelo sacrifício, embalsamamento e cerimónia fúnebre, o que consideravam um acto de absoluta piedade, mas que conferia avultadas e crescentes rendas aos santuários e ao clero do deus. Estas cerimónias funerárias decorriam em galerias subterrâneas, em complexos funerários, como em Saqqara ou Tuna el-Gebel, por exemplo. Os touros consagrados a Ápis ou Bukhis, bem como suas progenitoras, eram cada um deles colocado num magnífico hipogeu (câmara funerária subterrânea), em sarcófagos individuais em granito. Outros exemplos de culto e consagração religiosa de animais são os babuínos sagrados enterrados em urnas de madeira colocadas em nichos de pedra, em galerias próprias.

Estes cultos a animais aumentaram de forma expressiva no Império Novo (c. 1560-1070 a. C.), atingindo o apogeu na Época Baixa (664-332 a. C.), quando as peregrinações, oferendas e votos com eles relacionados eram economicamente importantes. A Necrópole de Animais Sagrados a norte de Saqqara é um dos centros de culto mais importantes do Antigo Egipto e tem sido sistematicamente escavada desde os anos 60 do século XX, com particular destaque na década de 90, quando se avançou na definição cronológica das galerias com urnas de animais e também nas pesquisas em história genética de certos animais, como primatas (babuínos, macacos), a partir das suas mumificações.

Para além de Saqqara, também outros centros de culto ligados a animais sagrados existiram no Egipto, de que se destacam, Herakleópolis Magna, Esna ou ilha Elefantina (culto ao carneiro, associado ao deus Khnum), os gatos sagrados em Tell Basta (Bubástis ou Per-Bastet) ou Beni Hassan, bois Bukhis em Iunu-Montu (ou Armant), a vaca sagrada Hathor em Dendera, além dos crocodilos em Medinet el-Fayum (Crocodilópolis) ou Kom Ombo.

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Re: Antigo Egipto

Mensagem por Lusitano89 em 31st Julho 2011, 18:12



















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