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Primeira perseguição aos cristãos

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Primeira perseguição aos cristãos

Mensagem por Fundador em 17th Março 2011, 17:44

Após o Grande Incêndio de Roma, que deflagrou em Julho de 64, começaram a circular rumores na cidade de que Nero teria sido o culpado pela tragédia; Nero, por seu lado, culpou os cristãos de terem sido os causadores do incêndio. Centenas foram crucificados, queimados vivos e mortos por cães. O local de execução foi o Circo de Nero e não o Coliseu de Roma (a construção do Coliseu só teria início em 71 e só seria inaugurado no ano 80).

Todos os historiadores modernos concordam que Nero não foi o culpado pelo incêndio. A propaganda cristã passados uns séculos (no Império Romano com o Cristianismo como religião oficial) é que plantou essa ideia na mente das pessoas. O incêndio deve ter começado por acidente (na época as pessoas utilizavam lenha em casa para cozinhar) e as casas de madeira, sem espaços entre elas, foi o ambiente perfeito para um incêndio.

O incêndio durou 6 dias, tendo depois parado e recomeçado por mais 3 dias. O recomeço do incêndio deve ter ocorrido por acidente ou talvez por obra de um cristão com ideias apocalípticas. No entanto, alguns dizem que como o mal já estava feito, Nero ordenou o recomeço do incêndio. O certo é que ele derrubou muitos edifícios, mas isso foi apenas para travar o avanço do fogo.

O incêndio deve ter começado por acidente e o recomeço do mesmo é um mistério. De qualquer forma, Nero não é suspeito. Por mais louco que tenha sido, Roma era dinheiro e nenhum governante quer destruir o seu dinheiro.

Sobre esses acontecimentos, Tácito (55-120) escreveu:

Contudo, nem por indústria humana, nem por larguezas do imperador, nem por sacrifícios aos deuses, foi conseguido afastar a má fama de que o incêndio tinha sido mandado. Assim pois, com o fim de extirpar o rumor, Nero inventou uns culpáveis, e executou com refinadíssimos tormentos os que, aborrecidos pelas suas infâmias, chamava o vulgo cristãos. O autor deste nome, Cristo, foi mandado executar com o último suplício pelo procurador Pôncio Pilatos durante o Império de Tibério e, reprimida a perniciosa superstição, irrompeu de novo não somente por Judeia, origem deste mal, senão pela urbe própria, aonde conflui e se celebra quanto de atroz e vergonhoso houver por onde quer. Assim, começou-se por deter os que confessavam a sua fé; depois pelas indicações que estes deram, toda uma ingente multidão (multitudo ingens) ficaram convictos, não tanto do crime de incêndio, quanto de ódio ao gênero humano. A sua execução foi acompanhada por escárnios, e assim uns, cobertos de peles de animais, eram rasgados pelos dentes dos cães; outros, cravados em cruzes eram queimados ao cair o dia como se fossem luminárias noturnas. Para este espetáculo, Nero cedera os seus próprios jardins e celebrou uns jogos no circo, misturado em vestimenta de auriga entre a plebe ou guiando ele próprio o seu carro. Daí que, ainda castigando os culpáveis e merecedores dos últimos suplícios, tinham-lhes lástima, pois acreditavam que o castigo não era por utilidade pública, mas para satisfazer a crueldade dele próprio.

No relato do historiador Tácito podem confirmar duas coisas importantes:

- O ódio que naquela época os romanos tinham aos cristãos;
- A confirmação de que Jesus de Nazaré realmente existiu (alguns ainda pensam que a sua existência foi inventada).

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Re: Primeira perseguição aos cristãos

Mensagem por Saibot em 16th Agosto 2011, 23:15

A partir do ano 62 verificou-se uma reviravolta decisiva, não apenas nas relações entre o Império e os cristãos, mas em toda a política de Nero: trata-se do momento da retirada de Séneca da vida política, da morte de Burro, substituído na Prefeitura do Pretório por Tigelino, do repúdio de Octávia e das núpcias com uma judia, da ruptura com os estóicos da classe dirigente e do abandono definitivo da linha júlio-claudiana do principado para uma dominação de tipo teocrático. Cristãos e estóicos foram assim atingidos nos mesmos anos e juntos criminalizados diante da opinião pública, sendo catalogados como atormentados uns e impiedosos os outros. A primeira vítima da decisão de Nero de incriminar os cristãos com base na velha consulta ao Senado foi Paulo de Tarso, que era bem conhecido nos ambientes da corte: essa incriminação é testemunhada pela Segunda Carta a Timóteo, escrita no Outono de um ano que poderia ser 63, pelo menos a crer nos documentos existentes. Paulo estava então de novo na prisão, em Roma, mas desta vez esperava por uma condenação, embora não certamente pelo incêndio. A prisão e a condenação de Pedro, por seu turno, viriam a acontecer juntamente com a de outros cristãos de Roma, depois do incêndio de 64. O seu martírio, ocorrido por crucificação nos jardins de Nero, não pode ser separado, como revela Tácito (Annales), do da enorme multidão que Nero ofereceu como espetáculo, em espetáculo circense, ao povo de Roma, tendo os fiéis padecido e morrido de forma horrível, em muitos casos dilacerados pelas feras que contra eles foram atiçadas, a mando de Nero.

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