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Mário de Sá-Carneiro

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Mário de Sá-Carneiro

Mensagem por Fundador em 17th Março 2011, 17:37


Mário de Sá-Carneiro
Mário de Sá-Carneiro, um pedaço de rua solitário, um Romeu falhado que se suicidou quando contava apenas 25 anos. Viveu a ferro e fogo, mas apenas no seu interior. Da sua tragédia, surgiu uma poesia brilhante e capaz de atormentar os homens mais estáveis.

Mário de Sá-Carneiro nasceu a 19 de Maio de 1890, em Lisboa. A sua família era abastada, mas ele ficou orfão de mãe com apenas 2 anos e foi entregue aos cuidados dos seus avós. A sua incapacidade de se integrar na sociedade pode ter sido causada por a falta da mãe durante a infância.

Aos 12 anos inicia-se na poesia e durante a adolescência já traduzia Victor Hugo, Goethe e Schiller. Inscreve-se na Universidade de Coimbra, no curso de Direito, mas não chega sequer a completar o primeiro ano. Segue depois para Paris, uma cidade que sempre adorou e onde encontraria o seu fim trágico.

Em Paris iniciou uma vida sem qualquer estrutura ou orientação, deambulando pela cidade, em cafés e teatros. Chegou a passar fome e nunca sabia muito bem o que fazer. Na sua angústia e frustação ligou-se a uma prostituta, procurando nela um escape para o seu desespero. Nessa altura, era o seu pai quem o ajudava a sobreviver, constantemente enviando para ele dinheiro.

Em 1913 volta para Lisboa, e é um dos responsáveis pela edição da revista Orpheu, revista essa que funda o Modernismo em Portugal e provoca um grande escândalo. Só dois números dessa revista foram publicados, pois nessa altura a sociedade portuguesa ainda era muito atrasada e analfabeta, encontrando-se mergulhada na devoção religiosa e na menoridade.

Volta para Paris em 1915, continuando lá a sua existência sem sentido nem propósito. O único suporte de Mário de Sá-Carneiro nessa altura era o poeta Fernando Pessoa, seu melhor amigo, tendo sido Pessoa que o amparou em diversas situações. De 1912 a 1916, eles trocam muita correspondência entre si. Sá-Carneiro encontrou em Pessoa um homem a quem podia contar as suas muitas frustações e angústias. Essas cartas demonstram o caos em que se encontrava o interior do jovem, sempre perdido em si mesmo.

Completamente frustado e desesperado por a vida que levava, Mário de Sá-Carneiro comete suicídio, a 26 de Abril de 1916, no Hotel de Nice em Paris, com cinco frascos de arseniato de estricnina. O seu suicídio foi um grito de desespero, pois chamou alguns dos seus conhecidos ao quarto para verem o que tinha feito. A sua acção lembra a do seu amigo de juventude, Tomás Cabreira Júnior, que também cometeu suicídio para “todos verem”, sendo que este disparou sobre si próprio em plena escadaria do Liceu de Camões, em Lisboa, com apenas 20 anos.

Eterno insatisfeito e inadaptado para a vida, Sá-Carneiro produziu toda a sua obra em apenas quatro anos, de 1912 até à sua morte. A sua poesia é como uma “fotografia” do seu estado interior, sendo uma poesia modernista e romântico-futurista. É considerado como um dos maiores poetas portugueses, e, segundo alguns, se tivesse vivido tanto como Pessoa, certamente que ultrapassaria o último em genialidade.

Mário de Sá-Carneiro tinha a grandeza de espírito de Lord Byron, mas Byron conseguiu canalizar a sua grandeza para o exterior, enquanto que Sá-Carneiro apenas a manteve no seu interior; com o tempo, essa grandeza devorou a sua mente e todo o seu ser.

As obras de Mário de Sá-Carneiro publicadas em vida:

- Amizade (1912)
- Princípio (1912)
- Memórias de Paris (1913)
- A Confissão de Lúcio (1913)
- Dispersão (1914)
- Céu em Fogo (1915)

Um poema da sua autoria em Dispersão:

Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.

Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida… (…)

Desceu-me n’alma o crepúsculo;
Eu fui alguém que passou.
Serei, mas já não me sou;
Não vivo, durmo o crepúsculo.


Última edição por Carlos Costa em 2nd Maio 2011, 17:39, editado 1 vez(es)

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Re: Mário de Sá-Carneiro

Mensagem por Fundador em 2nd Maio 2011, 17:38

Escritor (1890-1916).

Frequentou o curso de Direito em Coimbra e, a partir de 1912, prosseguiu os estudos em Paris, regressando a Lisboa com o eclodir da Primeira Guerra Mundial. Em 1915, participou com o seu grande amigo Fernando Pessoa no lançamento da revista Orpheu, que abriu caminho ao modernismo em Portugal. Ainda nesse ano, voltou a Paris, onde uma crise psíquica o levou ao suicídio.

Ficcionista e poeta, deixou uma breve obra, na qual revela a sua faceta de homem angustiado e dividido, incapaz de uma realização efetiva, sofrendo uma inevitável solidão. Com Mário de Sá-Carneiro a poesia foi dotada das mais densas e expressivas formas, quer através da linguagem futurista das primeiras obras quer com o lirismo de grande sensibilidade simbolista.

Algumas das suas obras: Princípio: Novelas Originais (1912), A Confissão de Lúcio (1913) e Dispersão: 12 Poesias (1914). Postumamente, foi publicado o seu segundo volume de poemas, Indícios de Ouro (1937), e Cartas a Fernando Pessoa (1958-1959).

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