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600 anos: Conquista de Ceuta

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600 anos: Conquista de Ceuta

Mensagem por Orban89 em 12th Agosto 2015, 14:12

Este ano celebram-se os 600 anos da conquista de Ceuta, e como tal estão a ser lançadas várias obras sobre aquele importante momento da História do nosso pais, além encontrei um blog bastante interessante sobre a presença portuguesa em Marrocos, na minha opinião Portugal fez bem em manter Ceuta em sua posse, apesar de todos os custos inerentes a uma ocupação. Porque ainda hoje tem um grande valor estratégico, como os Britânicos mantem Gibraltar até agora e os Espanhóis tem ainda em sua posse Ceuta, por isso se Portugal queria ser uma potência respeitada, também teria que ocupar lugares estratégicos e não só que fossem grandes centros de troca de commodities como se veio a verificar no Indico.


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Re: 600 anos: Conquista de Ceuta

Mensagem por Orban89 em 22nd Agosto 2015, 02:47

A primeira etapa de uma longa Epopeia



Fig 1 - Painel de azulejos de Jorge Colaço na Estação de São Bento, Porto, em grande plano o Infante D.Henrique



Este importante acontecimento deve-se ao querer dos jovens infantes, a saber: D. Duarte, D. Henrique e D. Pedro por serem armados cavaleiros depois de um acto guerreiro. O Pai D.João tinha a ideia de fazer uma grande festa com convidados de todas as casas reais europeias, e onde não faltariam os habituais torneios e justas. Mas essa ideia que não era do agrado dos filhos, que preferiam ganhar honra com um feito militar.

Então surgiu a ideia de conquistar uma cidade ou território, a ideia mais aceite era de efetuar alguma conquista no Reino de Granada, o último reino mouro na Península Ibérica, mas tal ia contra as intenções dos castelhanos que achavam aquele território seu por natureza. Foi o vedor da fazenda João Afonso de Alenquer, segundo o cronista Gomes Eanes de Zurara, que propôs Ceuta como uma boa hipótese para uma investida militar, ideia que agradou aos infantes e ao Rei, já que era uma cidade rica e um ponto estratégico muito importante. Através deste feito a jovem dinastia queria também ganhar prestigio aos olhos da Cristandade e principalmente do Papado, entidade bastante poderosa na altura, além disso pensava-se que seria o prolongamento natural da Reconquista Cristã.

Iniciaram-se então os preparativos com o maior dos secretismos, importante foi a ida do capitão Afonso Furtado e do Prior do Hospital em missão de espionagem a Ceuta, com o disfarce de fazerem uma escala para a Sicília onde se ia propor à Rainha D.Branca um casamento com o infante D. Pedro. Dessa diligência obteve-se a informação necessária sobre as defesas daquela cidade que foi dada aos infantes, ao Rei e restantes conselheiros através de uma maquete, feita com duas cargas de areia, um novelo de fita, meio alqueire de favas e uma escudela, serviram de réplica da cidade, representando as torres, a muralha, o terreno e os seus declives. A maquete foi destruída depois de ter sido estudada pelos infantes, pelo rei e demais conselheiros.

Os preparativos começaram pouco depois da decisão definitiva do rei de conquistar aquela cidade do Norte de África, ao serem reunidas entre 100 a 200 velas, principalmente galés e fustas seguindo nelas cerca de 20 000 homens e 1700 tripulantes provenientes não só do nosso pais, mas também de Inglaterra, França, Flandres, Galiza etc A nível nacional o Infante D.Henrique preparou a expedição do Porto, com o recrutamento, de toda a nobreza e respetivo material bélico da zona norte a reunir-se na cidade Invicta, enquanto o Infante D.Pedro preparou a partir de Lisboa o recrutamento toda a nobreza e respetivo material bélico da zona centro e Sul. Depois de todos os soldados, tripulação, armas e mantimentos serem embarcados, a armada parte no dia 23 de Julho do Restelo ainda com destino incerto tanto para o povo como para os que se encontravam a bordo. Só na escala que a frota efetuou em Lagos é que o destino daquela grande armada foi revelado pela boca de Frei João Xira, que aproveitou para fazer um pequeno sermão e animar as hostes. Depois desta curta paragem os ventos eram contrários e não ajudaram na progressão da armada que teve esperar perto de 2 semanas para prosseguir o seu destino.

No entanto na aproximação a Ceuta de novo ventos desfavoráveis voltaram a surgir e afastaram parte da esquadra para a zona de Málaga, enquanto a outra conseguiu atingir Ceuta. O Rei D.João preferiu esperar pelo regresso do resto da armada, enquanto isso os mouros já se preparavam colocando bestas e trons (espécie de canhão primitivo) nas muralhas, el-rei decide esperar pelos restantes navios, uns quilómetros a sul de Ceuta, na Baia do Barbaçote. Depois de todos reunidos na pequena baia o rei decide seguir o plano inicial de atacar Ceuta, já que muitos temiam que o efeito surpresa tivesse desaparecido e por isso o melhor era voltar ao Reino ou então atacar Gibraltar, mas o plano mantêm-se, no entanto a frota apanha de novo ventos contrários e parte da frota vai ter à zona de Algeciras. Os mouros vendo esta manobra desguarnecem as suas defesas, pensando que os cristãos tinham desistido de atacar a cidade. Entretanto o plano de ataque é delineado. Enquanto o rei simulava que atacaria a parte sul da baia da Almina (zona dos banhos), a armada vinda do Porto comandada pelo Infante D. Henrique atacaria em força a porta da Almina que ficava mais a norte, e tomar a praia que ficaria conhecida como Santo Amaro, nesse momento a frota do rei interromperia o avanço e juntar-se-ia aos infantes. O plano correu como combinado, só que os membros da armada do Infante D.Henrique anteciparam-se ao sinal dado por el-rei para iniciar o ataque, fruto talvez das provocações vindas da muralha e lançaram-se à conquista da praia, o que conseguiram juntamente com a porta da Almina, entretanto tinha chegado a ajuda do Infante D.Duarte que com os seus soldados frescos, foram essenciais para que o bairro da Almina fosse tomado ao final da manhã.

Ainda os combates estavam longe de terminar e já a maioria dos soldados estava ocupada no saque da cidade, enquanto o alcaide muçulmano Salah ben Salah mandava cerrar as restantes portas da cidade. Enquanto isso os infantes entrincheiraram-se aguardando por reforços. Chegados os reforços da frota do rei, os infantes D.Henrique e D.Duarte mandaram os soldados dividirem-se em três grupos e espalhar-se pelas ruas dos bairros que vão ter à mesquita.

A ritmos diferentes os nossos avançavam, já que os mouros combatiam rijamente pela sua vida, pelos seus haveres e pela sua cidade, por isso um combate porta a porta, pelo que sofremos algumas baixas como D. Vasco Fernandes de Ataíde, governador da casa do Infante D.Henrique, atingido por uma pedra na cabeça. Apesar disso o governador da cidade Salah ben Salah tinha montando no seu ginete e fugido da cidade.

Depois de todos os bairros e pontos altos conquistados, causou algum espanto verem a mesquita abandonada, pelo que os infantes e as suas hostes tiveram o seu merecido descanso naquele lugar de culto. Ali combinaram o ataque final ao castelo para o dia seguinte. Pouco depois um soldado que fazia a guarda perto do castelo repara que no cimo das muralhas os pardais andavam animados, e por isso dando a entender que estaria abandonada e manda avisar de imediato os infantes e el-rei que já se encontrava entre eles na mesquita.


Fig 2 - Retrato de D. Pedro de Meneses, primeiro governador português de Ceuta

Coube a João Vaz de Almada que se dirigisse ao Castelo e hasteasse a bandeira de São Vicente, o estandarte da cidade de Lisboa, dentro do castelo encontrou um biscainho e um genovês que o avisaram da partida dos mouros. Então João Vaz entregou-lhes a bandeira e mandou que eles a hasteassem. No dia seguinte, depois da mesquita estar devidamente limpa e preparada para a cerimonia que se ia seguir, foram armados cavaleiros os três infantes, D.Henrique, D.Duarte e D.Pedro mas não foram os únicos, vários fidalgos de nomeada foram armados cavaleiros por El-Rei, como Pedro Vaz de Almada (filho de João Vaz), D.Pedro de Meneses, Vasco Martins de Albergaria, Álvaro Pereira entre outros.

Depois de conquistada a cidade, nenhum dos capitães escolhidos por D.João aceitou ser o primeiro capitão de uma praça portuguesa além mar. Entre os nomes estavam o condestável Nuno Alvares Pereira, o marechal Gonçalo Vasques Coutinho e Martim Afonso de Melo. Apenas o jovem conde D.Pedro de Meneses se voluntariou para comandar a guarnição da cidade, o que D.João I aceitou de imediato, mas com algum espanto tanto do monarca como dos presentes já que a família Meneses tinha apoiado o lado castelhano na crise de 1383/1385 e que assim se tentava redimir do pecado cometido pela sua família no passado. Cargo que ocupou com grande sabedoria, perspicácia e valentia, já que ocupou o referido cargo até à sua morte em 1437.

Bibliografia Consultada:

João Gouveia Monteiro / António Martins Costa - 1415 Conquista de Ceuta (2015)
Luis de Albuquerque, Ana Maria Magalhães, Isabel Alçada - Os Descobrimentos Portugueses I Volume (1991)
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